Que meu anjo é lindo. Que se eu deixar posso achar um abrigo delicioso sob suas asas, basta eu conseguir sair de mim. Esse monte de coisa triste que eu vinha vivendo vem da minha mania de querer levar tudo sozinha, vem de achar que por ser um querer meu (mesmo que dividido) a responsabilidade de faze-lo acontecer é minha (e na hora da responsabilidade eu julgo que é só minha).
Hoje eu consegui chegar lá. Vendo a água tomar conta de tudo, vendo que podia conseguir vencer, chorando feito uma menina e querendo só a voz dele ouvir dizendo que eu era forte sim, e que juntos nós vamos conseguir.
Nada disso garante que eu não vá entrar em outras crises. Talvez seja bom mesmo eu fazer uma terapia pra poder resolver esse minha mania de querer cuidar do mundo que eu amo sozinha.
Mas hoje eu tô mais levinha e quando meu anjo lindo resolver escrever mais um postzinho eu devo escrever outro toda, toda alegrinha. Afinal pode não ser tudo leve, pode ser que a gente precise de uma forcinha, mas se há culpa ela é dele e minha. E, mais que tudo, conseqüência de querermos criar para nós uma vidinha toda lindinha.
Só vou para de escrever aqui pois vai acabar ficando sem nenhum postzinho do meu amor
Aí eu fiquei vageando
na tela protegida pelo colchonete e me deu vontade de dizer com toda a minha paixão atual:
Sinto saudade...
Agora é aquela saudade gostosa, a que dói mas não machuca. É o sentimento que vem junto com a lembrança do carinho, não é mais simplesmente me sentir sozinha. É o teu abraço de despedida no portão, o beijo lançado, o sorriso compartilhado.
Meu coração tá pronto de novo pra viver com o teu. Eu sei que vou precisar de terapia pra perder minhas feias manias, devo passar por outras crises de umbigo, mas agora estou tua. Consigo refletir todo o brilho do teu sorriso. Meu corpo hoje brilhou junto contigo. Não ficou mudo, vazio ou sem sentido. E é tão bom poder cantar os gatos pobres junto, casadinha contigo...
Te amo meu anjo, te amo muito.
Obrigada pelo abrigo de tuas asas. Obrigada pelo carinho, pelas carícias, por fazer por mim, por tentar me entender, me explicar, me agradar.
Desculpa as mancadas, escorregadas, pisões no pé. Sei que não faria muito diferente, precisei viver tudo intensamente. Passar por todo o labirinto, me entranhar no meu corpo, voltar ao que vivi antes, tacar o pé na poça, pra só depois olhar pra frente e achar tua mão, que teve sempre ali, procurando a minha... Tinha horas que até esbarrava, que eu tateava, achava, mas escapava. Hoje consigo pegar nela, te dizer que quebrei mais uma tigela e esperar que tu me fales que podemos viver sem ela.
Um beijo meu anjo lindo. Que a lua te ilumine, te deixe forte e sussurre no teu ouvido que o laço produzido do seu brilho vai para sempre nos manter
juntos e unidos.
Me alimentaram/Me acariciaram/Me aliciaram/Me acostumaram//O meu mundo era o apartamento/Detefon, almofada e trato/Todo dia filé-mignon/Ou mesmo um bom filé...de gato/Me diziam, todo momento/Fique em casa, não tome vento/Mas é duro ficar na sua/Quando à luz da lua/Tantos gatos pela rua/Toda a noite vão cantando assim//Nós, gatos, já nascemos pobres/Porém, já nascemos livres/Senhor, senhora ou senhorio/Felino, não reconhecerás//De manhã eu voltei pra casa/Fui barrada na portaria/Sem filé e sem almofada/Por causa da cantoria/Mas agora o meu dia-a-dia/É no meio da gataria/Pela rua virando lata/Eu sou mais eu, mais gata/Numa louca serenata/Que de noite sai cantando assim//Nós, gatos, já nascemos pobres/Porém, já nascemos livres/Senhor, senhora ou senhorio/Felino, não reconhecerás
Aceitas? ;)