Há dois meses atrás a primeira pessoa com quem encontrei depois que minha ex-mulher passou a utilizar nosso filho como ogiva em sua vingança contra mim mesmo quase me pôs desesperado pela derrota que estaria condenado a sofrer.
Uma audiência não aconteceu, nós nos tornamos quase especialistas em filhos criados em situação de divórcio, estamos participando ativamente de um movimento nacional, na novela das oito pai representado por Kadu Moliterno reencontra o filho, várias decisões da justiça surgem embasando o direito dos filhos de conviverem com os pais, inclusive, com multas altas para aqueles que isso impedem, o programa Sexo Frágil acaba de apresentar um programa dedicado à paternidade, enfim, o mundo conspira para que meu filho, antes que eu imaginasse, pudesse estar de novo em meus braços com toda a segurança que ele merece, pois, uma vez que estamos prestes a inverter totalmente a situação caso a minha ex-mulher não acorde para o mal que está fazendo á criança. Senão, já temos o embasamento para fazê-la pagar por este crime, adoraria que fosse com trabalho voluntário, seria lindo, cuidando de crianças carentes, por exemplo, podia ser que se tornasse uma pessoa melhor, menos má, menos egoísta, dois dias na semana, os dois dias em que o nosso filho estará comigo ela poderia estar tendo que trabalhar, isso era um delírio há dois meses, é palpável hoje.
Quem sabe então, terça-feira, não acaba tudo? Seria tão bom, menos sofrimento para todos, eu poderia no acordo deixar para lá o que passou, fingir que nada aconteceu e que, enfim, uma vez que a justiça resolveu reconhecer a paternidade Brasil afora, encarar que foi “só um período de privação mental” e que uma ex-mulher pode, num estalo, transformar-se numa pós-mulher. De repente vem esse sonho, de finalmente, num passe de mágica, poder voltar a viver minha vida, finalmente, poder dar ao meu filho tudo que ele merece, poder retribuir à minha esposa um pouco do tudo que ela fez por mim durante esses meses que passamos.
Ah, não vemos a hora de que tudo acabe e que possamos, enfim, viver nossa vida, sem termos que ficar nos defendendo da minha ex-mulher, sem termos que nos ficar adaptando às suas mudanças de humor, sem termos que abandonar seguidamente nossos planos por que podem gerar problemas nisso ou naquilo, sem podermos nem nos reunir com os amigos no Assis e podermos voltar a sambar levemente e alegremente no Brasileirinho. Juro que na hora em que isso se resolver, fazemos uma noite só de Chico, só para lembrar de nosso doce começo, ao menos, doce comparado com o que minha ex-mulher nos faz viver hoje.
É o mundo que gira, gira, gira e um amigo meu me disse, assim que entrei na Escola Técnica, que o sistema é muito forte, lutar contra ele é muito difícil, que a melhor forma de resistência não é lutar contra o sistema, mas saber se beneficiar dele, e olha, no meu caso, não é só meu filho, são milhares de outras crianças vítimas de mães vingativas que estão tendo encerrado seu sofrimento por que a justiça está avançando aos galopes.
Tornando-se, dia após dia, mais justa, no Brasil INTEIRO.